Antes de mais nada, quero pedir desculpas às pessoas que tem acompanhado nosso blog, pelo período de mais de 10 dias sem novos posts. Isso quer dizer que isso aqui tá uma loucura e, mesmo da “meia noite às seis”, o bixo está pegando!
Bom, o título desse post é polêmico, eu sei. Mas é por isso mesmo que eu coloquei. Na última semana, postei em meu twitter (@felipercarvalho) um ato de ciúme que infelizmente presenciei assistindo a TV Brasileira. A situação foi que o presidente do Palmeiras havia postado em seu twitter, no dia anterior, as 22h, o fracasso nas negociações com o pretendente a novo técnico da equipe e ao mesmo tempo disse à torcida que a diretoria já estava atrás de novos nomes. Pois bem. Isso gerou indignação em parte da imprensa. “A audiência da TV Bandeirantes e da Rádio Bandeirantes é muito maior que a do twitter”, exclamou o comentarista Leandro Quessada. Por alguns instantes o foco da discussão, que deveria ser o esporte, mudou. A apresentadora do programa chegou a explicar, com direito a imagem na tela, o que é o twitter. Então, quando todos pensavam que a discussão havia acabado, Luiz Ceará, reporter da casa, pediu a palavra para contar uma história. “Hoje meu filho de doze anos me perguntou: Papai, você quer fazer seu twitter? E eu respondi para ele: Meu filho, twitter é coisa de muleque da sua idade. Profissional não usa twitter”.
É justamente a partir daí que eu gostaria de fazer uma rápida reflexão. Será que as Redes Sociais estão incomodando tanto a imprensa tradicional? Os blogs e microblogs (como é o caso do twitter) não podem ser considerados novos veículos de imprensa? Quanta coisa nós ficamos sabendo de forma instantânea graças a internet? Creio que alguns profissionais devem adaptar-se às novas formas e ferramentas para se fazer comunicação.
Essa semana tivemos outro exemplo disso. O piloto Nelsinho Piquet anunciou, através de seu twitter, que segue na Renault pelo menos até a próxima etapa do mundial – enquanto todos estavam dando como certa a sua saída após a última corrida. E qual o problema nisso? Quer dizer, se o Nelsinho não quis chamar a imprensa para dar esse comunicado e simplesmente o postou em seu microblog, qual a diferença? Eu mesmo acabei vendo a notícia em um jornal impresso aqui de Curitiba (que falava que o comunicado havia sido feito pelo twitter).
Ora, precisamos pensar mais e falar menos, principalmente em tempos onde a internet cresce a passos largos, enquanto alguns meios de comunicação precisam de balão de oxigênio para sobreviver. É claro que muita coisa tem que ser revista para que as Redes Sociais ganhem ainda mais força (como a política anti-spam), mas em um país onde os consumidores atribuem 60% de credibilidade à um depoimento na internet na hora de comprar um produto*, é meio irresponsável dizer que uma das Redes Sociais que mais cresce no mundo é “coisa de muleque”.
*Pesquisa realizada pelo instituto Nielsen Online, 2009.
