Ontem estava assistindo TV junto com o pessoal aqui de casa quando nos deparamos com o belíssimo filme de um Banco, no intervalo de um dos programas com maior audência do domingo a noite.
É um filme novo, que convida as pessoas a fazerem as coisas juntos, e não de maneira individual, sozinha, fechada. Lindo. Muito bem produzido. Os apelos são muito bem resolvidos e o romantismo me fez acreditar, mesmo que por alguns segundos, que esse banco realmente queria estar junto com as pessoas para o que der e vier.
Mas, após esse extase causado bela pela produção publicitária, olhei para meu pai e isso bastou. Veio aquela sensação de que não passava de um belo filme de ficção. Tão ficção como Avatar ou Senhor dos Anéis.
Fiquei me perguntando por longos minutos o porque de um banco investir tanto dinheiro para contar uma história de ficção, enquanto milhares de brasileiros acreditam que isso pode um dia se tornar realidade. Chego a pensar que é uma falta de respeito com o consumidor, tão grande quanto a sensurada Loira Devassa.
Ora, no momento em que mais o cidadão precisar, quando o dinheiro acabar e as contas não, quando a fatura do cartão for maior do que o dinheiro necessário para comprar a cesta básica que alimentará uma família, quando os dias “para pagar sem juro” expirarem, esse banco estará junto da pessoa entendendo que o mercado parou de consumir e por isso o cidadão José foi mandado embora? Que a exportação caiu assustadoramente e a Maria perdeu seu emprego?
Tenho minhas dúvidas. Nesse momento, o maior inferno será a campainha do telefone, que avisará que mais uma vez o banco está junto da pessoa, mas dessa vez para cobrá-la a dívida que aumenta a rítimo assustador, para avisar que o nome da pessoa ja está “sujo na praça” e que toda a história de amor, não passava mesmo de um romance, desses de ficção.
Acredito que o problema maior seja do marketing, que vende um produto que jamais será utilizado pelo cliente, um conceito que só é lindo “visto na TV”. Reforço que a beleza do filme e da campanha publicitária devem ser elogiadíssimos, mas a capacidade de enganar as pessoas e fazê-las acreditar em contos de fadas, deve ser cada vez mais reprimida.
