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As belas campanhas [enganosas] de banco… mar 15

Ontem estava assistindo TV junto com o pessoal aqui de casa quando nos deparamos com o belíssimo filme de um Banco, no intervalo de um dos programas com maior audência do domingo a noite.

É um filme novo, que convida as pessoas a fazerem as coisas juntos, e não de maneira individual, sozinha, fechada. Lindo. Muito bem produzido. Os apelos são muito bem resolvidos e o romantismo me fez acreditar, mesmo que por alguns segundos, que esse banco realmente queria estar junto com as pessoas para o que der e vier.

Mas, após esse extase causado bela pela produção publicitária, olhei para meu pai e isso bastou. Veio aquela sensação de que não passava de um belo filme de ficção. Tão ficção como Avatar ou Senhor dos Anéis.

Fiquei me perguntando por longos minutos o porque de um banco investir  tanto dinheiro para contar uma história de ficção, enquanto milhares de brasileiros acreditam que isso pode um dia se tornar realidade. Chego a pensar que é uma falta de respeito com o consumidor, tão grande quanto a sensurada Loira Devassa.

Ora, no momento em que mais o cidadão precisar, quando o dinheiro acabar e as contas não, quando a fatura do cartão for maior do que o dinheiro necessário para comprar a cesta básica que alimentará uma família, quando os dias “para pagar sem juro” expirarem, esse banco estará junto da pessoa entendendo que o mercado parou de consumir e por isso o cidadão José foi mandado embora? Que a exportação caiu assustadoramente e a Maria perdeu seu emprego?

Tenho minhas dúvidas. Nesse momento, o maior inferno será a campainha do telefone, que avisará que mais uma vez o banco está junto da pessoa, mas dessa vez para cobrá-la a dívida que aumenta a rítimo assustador, para avisar que o nome da pessoa ja está “sujo na praça” e que toda a história de amor, não passava mesmo de um romance, desses de ficção.

Acredito que o problema maior seja do marketing, que vende um produto que jamais será utilizado pelo cliente, um conceito que só é lindo “visto na TV”. Reforço que a beleza do filme e da campanha publicitária devem ser elogiadíssimos, mas a capacidade de enganar as pessoas e fazê-las acreditar em contos de fadas, deve ser cada vez mais reprimida.

Nem o bondinho escapou… jun 02

Antes de mais nada, quero deixar claro que apesar de ser publicitário e trabalhar com marketing e propaganda, acredito que determinadas ações são exageradas. Parece que alguns “profissionais” só pensam nas pessoas como consumidores que precisam ser bombardeados o tempo todo!

Dá um tempo!

A mais nova dessa turma é poluir um dos cartões postais mais conhecidos do nosso país, o bondinho do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. As empresas de mídia indoor que venceram a concorrência já trabalham para fechar 4 cotas de exibição. Dentre as possibilidades, os anunciantes poderão expor suas marcas em painéis instalados na bilheteria, nas escadarias de acesso às estações, nos separadores de fluxo de fila (que serão personalizados), envelopando catracas e testeiras internas nas estações, e nas grades das plataformas. Além disso, haverá espaço para eventos patrocinados e possibilidade de projetos especiais de branding e sampling (distribuição de brindes). Ao menos dentro dos bondinhos não haverá propaganda.

Pode parecer estranho um profissional da área, dono de agência, criticar o surgimento de mais uma mídia indoor. Mas só parece. Antes de mais nada sou defensor do consumidor; porque também sou. Mídias inteligentes podem e devem ser criadas e exploradas. Agora, mídia que extrapola o limite entre a informação e a invasão da privacidade? Isso é demais! Tá na hora do mercado mudar. É tanta tecnologia a disposição que parece que nos idiotizamos e pensamos sempre nas mesmas soluções.

É como a lei “cidade limpa” que algumas cidades adotaram. Não que eu seja defensor da poluição visual causada pelo excesso de mídias exteriores, pelo contrário, mas em São Paulo proibíram fachadas em pontos comerciais e derrubaram alguns quadros de outdoor. Tudo isso pra quê? Eu sou paulistano e nunca tinha me deparado com tamanha poluição visual que virou o metrô. Tem espaço para exibição em tudo quanto é lugar. A pessoa fica perdida no meio de tanta informação. E minha pergunta é simples: Quantas pessoas ao saírem da estação do metrô lembram-se das marcas ou produtos que viram expostas ali?

Quantas pessoas (brasileiros e estrangeiros), após o passeio no bondinho, lembrarão das empresas anunciantes? Posso estar completamente errado, e não terei vergonha de admitir caso no futuro constate que esteja, mas essa nova mídia indoor nasce para ser mais uma mídia de apoio ineficiente, como tantas que vemos por aí! 

Gente. Sejamos inteligentes!